Minha primeira vez na ioga sem roupa

Sedentário, repórter encara contorcionismos com tudo à mostra

Encorajado pela editora desta revista, resolvi experimentar pela primeira vez uma classe de naked yoga (ioga nua) no Gaia Tree House, o mais conceituado grupo da prática para nudistas de Nova York. Nas livrarias da cidade, há pelo menos meia dúzia de livros que tratam do tema. O mais antigo é de 1972 e traz textos explicativos acompanhados de 48 fotos de mulheres desnudas em posições iogues. Mas só agora, mais de três décadas depois, a idéia está se tornando popular na cidade. Acredita-se que existam cerca de dez grupos dessa modalidade nos Estados Unidos. Em Nova York há dois. Um deles é dedicado exclusivamente à comunidade gay. O outro é o Gaia, fundado dois anos atrás e voltado para naturistas e quem mais queira contorcer-se sem roupas.

A linha seguida por eles é a ishta yoga, desenvolvida pelo sul-africano Alan Finger e que mescla a fi- losofia de outras vertentes, como o hatha, a tantra e a ayurveda. Na prática, qualquer pessoa pode participar. As aulas ocorrem em um amplo loft na rua 18, a duas quadras do Union Square. Não há músicas zen tocando nem cheiro de incenso no ar. O único odor que sinto é o do meu próprio corpo, cuidadosamente preparado com um longo banho antes de partir para essa experiência. Para participar, não basta chegar e tocar a campainha. É preciso ser indicado por alguém que faça parte do grupo ou se cadastrar por e-mail (britt@nyc.rr.com). Cada aula custa 15 dólares e dura uma hora e meia. Apesar de a turma ser mista, a da qual participei só tinha homens. “As mulheres ainda se sentem desconfortáveis em ficar nuas na frente dos outros se elas não estão totalmente em forma”, diz a professora Britt McCurray. Assim que entram na sala, todos tiram as roupas. Tento não me precipitar e ser o primeiro a ficar nu. Vou no ritmo da turma. Meus companheiros são os mais variados: negro, japonês, escandinavo. Jovens e senhores. Barrigudos e sarados. Pênis de todos os tamanhos. Preocupação de todo homem, pude constatar que estou dentro da média mundial.

Confesso que sempre achei ioga uma chatice. Durante toda a minha vida (tenho 29 anos) participei de um único encontro. Literalmente, dormi antes da sessão acabar. Tratava-se, portanto, de um duplo début: minha primeira aula de ioga acordado e, ademais, sem roupa. A professora Britt tem 33 anos – dez deles dedicados à ioga -, corpo sarado, pele branca e cabelos que variam entre o loiro escuro e o ruivo. Fala mansa e muito atenciosa, ela não se sente intimidada em estar desnuda na frente de um bando de marmanjos. Pelo contrário, faz questão de corrigir tête-à-tête a posição de cada um durante os exercícios. Sedentário que sou, meu maior medo não residia em expor as intimidades diante de uma turma de desconhecidos, mas em não conseguir executar os movimentos ensinados pela professora. No entanto, em poucos minutos fiquei completamente à vontade. Tanto por estar sem roupa como por nem sempre conseguir esticar as pernas e segurar o dedão ao mesmo tempo.

Não posso mentir, porém, e afirmar que não me senti incomodado em certos momentos. Num deles, Britt pediu que fizéssemos um movimento no qual fica-se de quatro, com uma mão e um joelho apoiados no solo e a outra perna e o outro braço levantados em linha horizontal, formando uma espécie de letra T com o corpo. Digamos que não foi um das visões mais agradáveis que tive dos meus colegas. Em outra posição, cabeça e pescoço no chão, levantam-se as pernas e metade da coluna até ficar na vertical. Muitas vezes eu me desequilibrava dando uma cambalhota ao contrário. Só não pense que o encontro é uma festa de Baco. Pelo contrário, há um respeito quase católico entre seus participantes. “Mas e se alguém se excitar?”, eu quis saber. “Acontece, mas é raro”, disse Britt. “E, se ocorrer, deixo que a pessoa ‘esfrie’ naturalmente. São coisas que não podem ser controladas, né?” Felizmente na minha classe não aconteceu.
PS: O repórter decidiu se matricular na aula.

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