O lado B da miss

Fora dos desfiles e eventos, quando tira do ombro a faixa de mais bonita do Brasil, Natália Guimarães estuda arquitetura, namora firme, coleciona canecas (tem mais de 100) e sofre com pesadelos — “Eu falo dormindo línguas incompreensíveis”, diz

‘Essa Carol tem um bundão, né?’, deixa escapar Natália Guimarães enquanto folheia uma revista masculina com fotos da ex-Big Brother Carollini Honório. Natália não participou de nenhuma das sete edições do BBB, mas, assim como Carol, foi na televisão que se fez conhecer por boa parte do público brasileiro. Depois de perder para a japonesa Riyo Mori a faixa de Miss Universo 2007, na Cidade do México – em um resultado que gerou indignação e virou tema de discussões em quase todas as rodas de bate-papo do Brasil -, a mineira de 22 anos transformou-se em celebridade instantânea. Mas há algumas diferenças pontuais entre Natália e Carol que não podem ser deixadas de lado. A primeira delas: Natália não faz o estilo popozuda. Com 1,75 metro de altura, 58 quilos, 90 centímetros de busto, 60 de cintura e 93 de quadril, a miss tem mais o perfil de uma… miss. Ah, e jura de pés número 39 juntos que jamais vai tirar a roupa para uma revista masculina. Especula-se, porém, que tenha recebido um convite para integrar o time das supermodelos da marca de lingeries Victoria’s Secret. Gisele Bündchen e Alessandra Ambrósio são duas delas. Perto dessas e outras esguias modelos que zanzaram pelas passarelas dos últimos Fashion Rio e São Paulo Fashion Week, Natália até que ostenta um portentoso derrière. Questão de parâmetros.
Como qualquer miss que se preze, Natália é educadíssima: tem fala mansa, usa roupas discretas e mantém uma postura elegante. A pobreza no mundo e os sonhos de infância são assuntos recorrentes nas entrevistas que dá. Namora firme há quatro anos e estuda arquitetura e urbanismo na PUC-Minas Gerais. Fala inglês e espanhol fluentemente. Cultiva hobbies quase infantis, a exemplo de uma coleção de mais de cem canequinhas de todas as partes do mundo. As últimas aquisições foram trazidas do México e das Bahamas. Natália não faz questão de usar roupas de marca e garante que odeia gastar dinheiro. ‘Quando era pequena, economizava até na mesada’, diz.

Corre-corre
Da vida pacata que tinha em Belo Horizonte ao lado da mãe Eliane e da cadelinha maltesa Pink pouco sobrou. Precisa de duas assessoras e um cronômetro para organizar a agenda profissional desde que voltou do México, no finzinho de maio. Um dia ela pode estar numa festa em Divinópolis, no interior de Minas, na companhia do governador Aécio Neves, e no seguinte em um jantar de gala com o cônsul do Suriname, no Rio de Janeiro. ‘Ainda não tive tempo de parar em casa e passar um fim de semana inteiro só com minha família’, reclama.
A correria tem, literalmente, tirado o sono da Miss Brasil. Ultimamente ela dorme menos do que gostaria e não raro acorda em sobressalto com pesadelos terríveis. ‘Eu falo dormindo línguas incompreensíveis’, revela. Quando criança achava que, com o passar do tempo, ganharia asas nas costas e poderia voar. Aos 15 anos conta ter sido convidada para integrar o elenco da novela da TV Globo ‘Estrela Guia’. O pai, zeloso, cortou as asas da filha e a manteve em casa por mais alguns anos. ‘Eu faria o mesmo com os meus filhos’, garante. Mais crescida, e com o pai morando nos Estados Unidos, ela mudou-se para Nova York com a intenção de estudar inglês. Foi descoberta por um olheiro em uma loja de departamentos e então emplacou trabalhos em revistas como a ‘InStyle’. De volta ao Brasil, recebeu um convite para disputar o Miss Minas Gerais e, vitoriosa, seguiu para a edição nacional do concurso.

Confissão
Natália já confessou, aparentemente sem dar importância ao fato, que tem celulite. Durante a sessão de fotos desta reportagem tentamos encontrar defeitos no corpão de Miss Brasil. Afinal, é reconfortante saber que até as misses têm suas imperfeições. Uma unha encravada? Joanetes? Cantinho da unha roída? Espinha nas costas? Depois de uma minuciosa checagem, só descobrimos que Natália tem o dom de mandar nos homens. Como? Oras, o segundo dedo do pé dela é maior que o primeiro. E isso a gente sabe e a crença popular confirma: mulheres com dedos assim mandam e desmandam nos rapazes. No caso dela, portanto, a genética trabalhou em dobro. Se não bastasse o corpo perfeito, meio centímetro a mais lá embaixo, entre as tiras da sandália, também contribui para uma soberania absoluta.

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