Depois de encantar 240 mil brasileiros em 2006, a trupe canadense volta ao país com a superprodução Alegría
Se no meio de um picadeiro houver um sujeito esquisito vestindo fraque, meio corcunda, cara de rabugento e gritando “alegrrrrrría”, só há uma explicação: você está no novo espetáculo que o Cirque du Soleil traz ao Brasil. Para colocar o circo de pé até o dia da estréia, prevista para a sexta-feira 14, em Curitiba, há um exército de mais de 180 profissionais de 14 nacionalidades. O mais velho deles tem 64 anos. O mais novo, apenas 11. São trapezistas, costureiras, maquiadores, cozinheiros e músicos. Eles trabalham dia e noite rodeados por 800 toneladas de equipamentos em uma área de 20.000 metros quadrados onde serão erguidas as famosas tendas azuis e amarelas. “Nesta segunda visita ao Brasil, resolvemos levar o Cirque du Soleil a outras cidades”, diz Caroline Montreuil, porta-voz do grupo. “Por isso, fizemos um roteiro diferente, começando por Curitiba.” Mais que uma grande família rodante, o Cirque du Soleil é uma empresa lucrativa. Fatura cerca de US$ 600 milhões por ano, e seu idealizador, o ex-engolidor de fogo Guy Laliberté, aparece na revista Forbes como um dos homens mais ricos do mundo, com um patrimônio de US$ 1,4 bilhão. Atualmente, emprega cerca de 3.500 funcionários, entre artistas e parte técnica, e está em cartaz em cinco lugares diferentes do mundo, simultaneamente. Criado em 1994, ALEGRÍA é um dos maiores sucessos da companhia canadense: foi visto por mais de 9 milhões de pessoas em 15 países.
Trata-se do segundo espetáculo que o Cirque traz ao Brasil – e o 14º em atividade desde sua fundação, em 1984. O mais recente estreou em junho do ano passado. Chama-se LOVE, tem trilha sonora dos Beatles e está em cartaz em Las Vegas, nos Estados Unidos. Em 2006, o grupo trouxe ao Brasil Saltimbanco, visto por 240 mil pessoas no Rio de Janeiro e em São Paulo, e com ingressos esgotados meses antes. O expediente de Alegría é ainda mais ousado: cumpre uma temporada inicial de 28 apresentações em Curitiba. Em um périplo que só terminará daqui a nove meses, em 8 de junho de 2008, a caravana também passará por Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre (leia o quadro à pág. ao lado). Estão programadas 250 apresentações nas seis cidades, com um total de 650 mil ingressos colocados à venda. Mais da metade deles já evaporou das bilheterias. Alegría é inspirado nas antigas famílias circenses que rodavam a Europa. Diferencia-se, porém, pelos solos vocais de duas cantoras e uma grande quantidade de números aéreos. A trilha sonora é executada ao vivo por uma banda que transita por ritmos como jazz, tango e música pop. A faixa-título é tão animada e interessante que foi indicada em uma das categorias do Grammy de 1996. Há alguns episódios manjados, como o das irmãs contorcionistas ou o do malabarista que manipula tochas de fogo. E, apesar de inúmeras acrobacias de tirar o fôlego, o momento mais aguardado é o idealizado pelo clown russo Slava Polunin nos anos 90. Com uma simplicidade comovente, um solitário palhaço enfrenta rajadas de vento e neve rumo ao nada. “Nossa missão é bastante simples: estimular a imaginação, provocar os sentidos e evocar emoções”, diz Caroline. Para isso, reinventaram o circo.

Alegría no Brasil
Os extraordinários números do espetáculo em sua turnê pelo país
>> 6 cidades
>> 9 meses de turnê
>> 250 apresentações
>> 130 profissionais envolvidos
>> 800 toneladas de equipamento >> 100 perucas
>> 200 fantasias
>> 11 quilos de glitter
>> 53 artistas de 14 nacionalidades
>> 650 mil ingressos colocados à venda
