
Há oito postes espalhados pelo palco, quatro deles, dispostos ao fundo, têm 3 metros e meio de altura e lançam luzes coloridas em todas as direções. Mais à frente, outros quatro, com cerca da metade do tamanho dos de trás, emitem sons que fazem a platéia pular num êxtase coletivo. Como boa parte das bandas inglesas, o Arctic Monkeys adota uma postura bastante blasé sobre o tablado. E a brincadeira aí em cima, comparando o quarteto de Sheffield com postes “sonoros” pode ser aplicada sem medo. Alex Turner (voz e guitarra), Jamie Cook (guitarra), Nicky O’Malley (baixo) e Matt Helders (bateria) praticamente não se movimentam durante as vinte músicas que tocam em pouco mais de 1 hora de espetáculo.
Mas nem por isso deixa de ser uma banda simpática, deliciosamente furiosa em suas melodias e musicalmente contagiante do começo ao fim. Seus integrantes são jovens, na faixa dos 20 anos, e lançaram apenas dois discos desde que surgiram, quatro anos atrás. Quem sabe por isso ainda lhes falte ginga para maiores ousadias ou escapadelas de um set list por ora bem construído. São nove faixas do novo disco, o quase irretocável “Favourite Worst Nightmare”, e outras nove da estréia, “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not”. O espetáculo ainda conta com duas “inéditas”: “If You Found This It’s Probably Too Late” e “Leave Before The Lights”, ambas presentes apenas em singles. Os intervalos entre uma música e outra são raros. Turner conversa pouco – seja com seus colegas de banda, seja com o público. Ele está mais interessado em tocar. E, afinal, é para isso que eles estão ali. As músicas bastam para conquistar a jovem platéia. Praticamente todas são cantadas em uníssono. Em “Fluorescent Adolescent” e “I Bet You Look Good On The Dance Floor” o coro nos refrões chega a encobrir a voz de Turner.
O Arctic Monkeys é um sucesso que nasceu graças à internet e seus blogs, YouTubes e MySpaces. E quem sabe esteja aí um dos segredos do conjunto. Eles são meio nerds, meio cools. São ao mesmo tempo, modernos e caretas. Gostam de meninas e também de videogame. Enfim, são o reflexo exato de boa parte das quase 3 mil pessoas que lotaram o Hammerstein. As mesmas que minutos depois de o show terminar congestionavam o YouTube com vídeos da apresentação.
Escrito por rimoreno 